30 de novembro de 2009
I see the moon and the sky
I see the moon and the sky
Marcadores: A arte do encontro
29 de novembro de 2009
Ao longe a orla oscila
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Modigliani
Ao longe a orla oscila
Se oscilar fosse do mar o ruído,
Se as noites em claro
Em que perdemos o juízo.
Nada mais nos falta,
Nada mais nos foi concedido.
O carteiro bate na porta
No som sem volta definitivo.
Marcadores: A arte do encontro
28 de novembro de 2009
Estende-se sem bordas o infinito
Marcadores: A arte do encontro
25 de novembro de 2009
Mulher satisfeita
Richard Long Círculo de terremoto
Mulher satisfeita:
Marcadores: A arte do encontro
8 de novembro de 2009
Teu corpo / Ton corps
Recitando o poema "Teu corpo/Ton corps" no YouTube...
http://www.youtube.com/watch?v=68DOsymxnTM
Marcadores: Francês, Tradução, Vídeo
6 de novembro de 2009
Espera
Albrecht Dürer - Moça veneziana
Marcadores: A arte do encontro, Iô
4 de novembro de 2009
Poema Zen noção
A maior miséria é o cotidiano
Marcadores: O espaço ao redor e além
3 de novembro de 2009
Corpo que treme
Corpo que treme
Marcadores: A arte do encontro
1 de novembro de 2009
Quadra da quadra vazia
Albrecht Dürer - Moça veneziana
Para onde olham os teus olhos
Se não mais olham para mim?
Marcadores: A arte do encontro, Iô
29 de outubro de 2009
Andaluzia
Marcadores: A arte do encontro, Iô
28 de outubro de 2009
Pássaros
Sempre é muito tarde
Marcadores: A arte do encontro
27 de outubro de 2009
Há uma ilha sob as ondas
Turner The fighting téméraire
Marcadores: A arte do encontro, Iô
26 de outubro de 2009
Soneto solar de Ipanema
Marcadores: A arte do encontro, O espaço ao redor e além, Soneto
22 de outubro de 2009
Xamã semiótico
Wang Chengyun Metropolis
Marcadores: O espaço ao redor e além
20 de outubro de 2009
Caio e esqueço
Goya O maio de 1808
Caio e esqueço
Marcadores: 2006, O espaço ao redor e além
19 de outubro de 2009
Ode ao soldado conhecido
Marcadores: 2006, O espaço ao redor e além
18 de outubro de 2009
O que odeio
O que odeio
Marcadores: 2006, O espaço ao redor e além
9 de outubro de 2009
Pelo que sofri
Claúdia Andujar
Pelo que sofri
Marcadores: 2006, A arte do encontro
20 de setembro de 2009
Corpo como Dante
El Greco Laacon
Corpo como Dante,
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19 de setembro de 2009
Sopro que foi um poema
Juan Moreno Aguado Flores de almendro
Marcadores: 2006, O território da poesia
18 de setembro de 2009
Um beijo
Marcadores: 2006, A arte do encontro, Iô
17 de setembro de 2009
Esta canção tirei

Gregg Toland
Esta canção tirei
Do sangue da noite partida.
No açougue encontrei
O destino impresso nas vísceras.
E como em tudo há uma lei
Encarrego-me de espalhar a notícia
De tudo que encontrei:
Tudo veio da mesma cartilha.
Marcadores: 2006, O espaço interior
16 de setembro de 2009
Esta arena de mouros

Antoni Tàpies Creu I R,1975
Esta arena de mouros,
De princesas no fim da idade
Suspensas numa távola de fogo.
O teu rastro na areia
Espera a espuma e um vento
E como tudo se vai aos poucos.
E o pouco se perde no tempo
De rainhas do fim da tarde
Num poente cruel e louco
Manchas de luz em Espanha,
O inverno chegou e arde
E tu partiste e lembro.
Marcadores: 2006, A arte do encontro, Iô
15 de setembro de 2009
No céu um silêncio

Matisse Mulher com ânfora
No céu um silêncio,
Nuvens sem destino.
Teu corpo, teu molejo,
Meu corpo, teu abrigo.
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14 de setembro de 2009
Ouça

Annie Leibovitz Susan em casa
Meu silêncio
Até agora
Não quer dizer
Que não te
Quero mais aqui.
Quer dizer
Apenas
Que não sei
O que fazer
Com esse poema.
Não quero mais
Contar as noites
E os dias,
Não quero mais
Aquecer-me
Na luz que tinhas.
Não quero mais,
Quero apenas
A luz serena
Que prometias.
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13 de setembro de 2009
Teu nome

Alberto García Alix
Teu nome
Encontrei nas cinzas
De um dia de granizo.
A gralha pousa e grasna:
Há um pássaro
Em todo riso,
Em toda desgraça.
Há um riso de menina
Em toda face assassina.
Há um olhar demoníaco
Em todo evangélico,
Em todo domingo.
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12 de setembro de 2009
Encontrei

Alfred Stieglitz
Encontrei
Uma carta régia,
Um presépio em ruínas,
Um muro com relevos frísios,
Um acordeon com um som incogniscível.
Segui incrédulo,
Segui sorrindo,
Tudo é tão belo,
Solar e ímpio.
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11 de setembro de 2009
Quase isto

Douglas Gordon «10ms-1»
Quase isto
Ou o que foi dito.
A luz é um tema
Interno e omisso:
Una lanterna de seda
Em mausoléu de granito,
O que ontem era eterno
Ora é vil e finito.
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10 de setembro de 2009
Ondas nos pélagos

Os Gêmeos
Ondas nos pélagos
Ou esse é menos
Que um antigo costume.
Uma bula que leio
Enquanto entro em detalhes.
Salão de tango em subúrbio,
Donas de casa nos bares.
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9 de setembro de 2009
A batalha já foi perdida

Damien Hirst The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living
A batalha já foi perdida,
Um sabre e um normando,
Os cegos somem na ilha.
Andam os loucos em bando,
Em barcos sem escotilha.
Andam os loucos sem descanso
E carregam torpes utopias.
Há menos luz enquanto
Um homem esquece do tempo,
Do mar, do sofrimento
Das estrelas frias.
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8 de setembro de 2009
Onde é que estou

Antony Gormley Nuvem quântica
Onde é que estou
Se não fico
E se vou por aí?
Para onde fui
Se não minto
E não estou nem aí?
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7 de setembro de 2009
Quadrinha

Albrecht Dürer Jovem mulher de Veneza
Se soubesse porque escrevo
Talvez parasse de escrever
Como o muito que te quero
É melhor só te querer.
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6 de setembro de 2009
A rota da alma

Gary Hill Pronto para a linguagem
Para Irina, uma amante da poesia
A rota da alma
Pela costa da África,
Pelo nome das coisas,
Num cargueiro pirata.
A rota do corpo
Pelas costas da amada,
Pelos lábios abertos
E pelo sexo em brasa.
A rota do homem
Pelo domínio do nada,
Há dor e desconcerto
E a volta para casa.
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5 de setembro de 2009
Sombra no rio trêmulo

Rachel Whiteread Canon 20D
Sombra no rio trêmulo.
Há tanta colheita
E também paralisia.
Alguém foi embora mais cedo,
Alguém que não deveria.
Conheço o drama do sossego,
A cegueira do não e sua carpintaria.
Acostumei-me a acordar na alba,
A escrever na areia
E esperar pelo Messias.
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4 de setembro de 2009
Poética
Grenville Davey Gigante vermelho
Minha voz se cala
Quando o vazio é conteúdo.
Minha canção é amara
Quando a forma é tudo.
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3 de setembro de 2009
Coisa

Anish Kapoor Instalação
Uma coisa passou por entre as pernas da mesa
E pulou por cima do muro,
Entre os atos de uma peça
Ou em um sonho de um mago vetusto.
A coisa me acompanha e me libera
Das preocupações com o devir impoluto.
Há coisas que acontecem e são belas,
Há outras que são coisas e nem discuto.
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2 de setembro de 2009
Um universo foi criado

Richard Long Círculo de Terremoto
Um universo foi criado,
O universo onde vivo.
Nele muito está errado
E o certo é frangível.
O universo onde suponho,
Na minha culpa eu insisto
Em um Deus sem passado
E no futuro sem Juízo.
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1 de setembro de 2009
Amanhã terei tempo

Tony Cragg Primeira obra
Amanhã terei tempo
De contar o meu tempo
E de contar quanto tempo
Passei longe de ti.
Agora sopra o vento
Na fria manhã do silêncio.
Agora páro e penso,
Eu te tive e te perdi.
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31 de agosto de 2009
O rio Tâmisa

Richard Deacon
O rio Tâmisa
Não é o rio de minha idéia
Porque rio muito e
O humor londrino
Não faz sucesso na minha aldeia.
Na minha aldeia
Somos muito otários,
Tomamos cachaça de tarde
E rezamos pelo mesmo breviário.
As garotas da aldeia
Não cedem, riem apenas.
Nadam nuas no rio
E rezam de noite a novena
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29 de agosto de 2009
Algaravia

Tracey Emin Minha cama
Essa palavra que me tolhe
E que me confunde.
A palavra que me abre
Todas as portas do mundo.
Inflo as velas da nave,
Azul do mar mais profundo.
Preso nas penhas do Algarve,
Breve silêncio que é tudo.
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28 de agosto de 2009
Para um seixo ser redondo

David Drew Zingg Leila Diniz
Para um seixo ser redondo
Basta um rio e o tempo.
Não consigo nesse mundo
Consertar meu sentimento
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27 de agosto de 2009
Uma ameaça

Gillian Wearing Bêbado, vídeo em três canais para projeção
Uma ameaça
Aumenta a minha suspeita:
Uma linha de alvo
Além e apesar da fronteira.
Os canibais estão mortos,
Chegaram com atraso na ceia.
É um prazer estar vivo,
Poder subir nas sotéias.
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26 de agosto de 2009
Estes teus olhos

Klimt Danaé
Estes teus olhos
Que me procuram desde aquele domingo.
Os lances encerrados no cassino.
Há almas que somem,
Outras me fascinam.
Nada digo de novo
E de novo nada digo.
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25 de agosto de 2009
Minha voz

Turner O Grande Canal de Veneza
Eu não sei
Nem queria saber
De onde vem essa voz
Que me faz escrever.
Viria de outro mundo
Mas nem nesse creio.
Vai virar motivo de estudo
Mas me recuso a sê-lo.
Vem das putas, dos vagabundos,
Das multidões e do sossego.
Vem do sublime e do imundo,
Das carícias e do pesadelo.
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20 de agosto de 2009
Preparo

Duchamp
Deixo ao acaso
Este poema,
Palavras escolhidas
No ritmo das estrelas.
Deixo para as mãos
Que vão recolhê-las
E espalhá-las pelos vãos
E esperá-las na colheita.
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18 de agosto de 2009
Aritmética derradeira

Robert Rauschenberg
Não tenho tempo
E no tempo
Tenho vivido.
Não tenho tempo
Nem para mim.
Há muito tempo
Não conto o tempo
Por ter medo
Do fim da conta,
De contar o fim.
Os tempos mudam,
Eu me quedo mudo.
Enquanto me calo
O tempo amealho.
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17 de agosto de 2009
Tarde carioca

Lucio Fontana
A baía pousa nos meus olhos
E os aviões pousam no aterro.
A luz da tarde arredonda os morros
E azula as águas e esqueço os erros.
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14 de agosto de 2009
Quadra didática

Antonio Bandeira
O que perdi para sempre
É coisa que não se aprende,
É taça que não se quebra.
E desse vinho não beba.
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12 de agosto de 2009
Soneto da ausência

de Chirico
Tempo que me traga
E traduz-se na memória.
Dizei-me onde anda
Aquela que me amava.
Dizei-me dos caminhos,
Das veredas inglórias.
Deixaste-me sozinho
Na solidão da hora.
A hora em que sorrimos
E juntos nos fartamos,
Imersos no abismo
Do gozo e do descanso.
Depois, hora de irmos
Na dor e no espanto.
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7 de agosto de 2009
Passa setembro

Rauschenberg Charlene
Passa setembro,
As flores brotam e murcham:
Não há forma sem conteúdo.
Flores que morrem, outras dão frutos.
Mulheres que se foram,
Mulheres que escuto.
E sei que passa setembro
E outubro.
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